Alinhadores dentários: um negócio piramidal?

Alinhadores dentários: um negócio piramidal?

 

 

 

Quem procura um ortodôntista ou um dentista para tratamentos médicos não pensará decerto na dimensão da economia da saúde. Que existe, como em qualquer outro campo. No entanto, quando falamos de medicina, há limites éticos que não podem ser ultrapassados. Para bem da saúde, e da confiança, do paciente. Vejamos aqui o caso dos alinhadores dentários. 

Os alinhadores dentários são um tipo de aparelho ortodôntico formado por uma sequência de goteiras plásticas, que, mediante a sua troca, realizam um determinado movimento dentário, pré-definido pelo Médico Dentista ou Médico Dentista Especialista. Falamos aqui de uma maneira quase invisível de realizar um tratamento ortodôntico, mas muitos de nós interrogam-se se estes serão indicados para todas as situações. A resposta é não. Os alinhadores dentários podem resolver casos de reduzida ou média dificuldade. Todavia, em casos complexos, apresentam ainda algumas limitações técnicas, que os pacientes devem conhecer. O paciente pensa que é a marca ou o tipo de alinhador que realiza o tratamento, desconhecendo muitas vezes que o diagnóstico e o plano de tratamentos são feitos pelos médicos que o encomenda esse produto. 

Há marcas muitos conhecidas que disputam a liderança a nível mundial, mas mesmo essas não se encontram sozinhas do mercado, havendo outras em franca evolução. Estamos, pois, perante, um segmento em rápido crescimento e com bastante concorrência. E isso pode desencadear práticas que serão legais, mas que poderão fazer periclitar a ética profissional. Uma das marcas conceituadas denomina os médicos que encomendam os seus alinhadores como “Prescritores”. O que é um “Prescritor”? É um profissional que encomenda produtos dessa marca, tendo desconto no valor dos aparelhos mediante o número de casos tratados.  Assim, promovem-se descontos no valor pago pelo médico, consoante o número de casos encomendado num determinado período de tempo. Este tipo de negócio piramidal levanta algumas perguntas: serão todos os casos encomendados pelos “Prescritores” necessários ou a força dos números e as vantagens comerciais sobrepor-se-ão às indicações clínicas e à individualidade de cada paciente? Não sei! Deixo isso à consideração de quem lê esta reflexão.

De qualquer modo, os alinhadores dentários vieram para ficar na indústria ortodôntica e são uma excelente ferramenta quando devidamente indicado. Sobre as abordagens de vendas das variadas marcas, o profissional saberá qual a marca que ética e deontologicamente se coaduna com o seu perfil profissional.